Mulheres Matemáticas

Através dos séculos as mulheres foram desencorajadas a estudar Matemática, mas apesar da discriminação houve  mulheres matemáticas que lutaram contra os preconceitos gravando seus nomes na história da ciência. Eis algumas delas:

Theano
Foi a primeira mulher a produzir um impacto nesta disciplina, no século VI a.C. Ela começou sua carreira como uma das estudantes de Pitágoras e acabou se casando com ele. Pitágoras é conhecido como ” o filósofo feminista” porque ativamente encorajou mulheres estudantes. Theano foi uma das vinte e oito irmãs da Irmandade  Pitagórica.
Hipácia ( século IV de nossa época)

Filha de um Professor de Matemática da Universidade de Alexandria, ficou famosa por ser uma grande solucionadora de problemas. Matemáticos que haviam passado meses sendo frustrados por algum problema em especial escreviam para ela pedindo uma solução. E Hipácia raramente desapontava seus admiradores. Ela era obcecada pela matemática e pelo processo de demonstração lógica. Quando lhe perguntavam por que nunca se casara ela respondia que já era casada com a verdade.

Maria Agnesi

Logo após a morte de Hipácia a Matemática entrou num período de estagnação e somente depois da Renascença foi que outra mulher escreveu seu nome nos anais da Matemática. Maria Agnesi nasceu em Milão em 1718 e, como Hipácia, era filha de um matemático. Foi reconhecida  como um dos melhores matemáticos da Europa e ficou famosa por seus tratados sobre as tangentes às curvas. Embora os matemáticos de toda Europa reconhecessem as suas habilidades, muitas instituições acadêmicas, em especial a Academia Francesa, continuaram a lhe recusar uma vaga como pesquisadora.

Emmy Noether (1882 -1935)

A discriminação institucionalizada contra as mulheres continuou até o século XX, quando Emmy Noether foi descrita por Einstein como “ o mais significante gênio matemático criativo já produzido desde que as mulheres começaram a cursar os estudos superiores“, e teve negado seu pedido para dar aulas na Universidade de Göttingen. Elaborou o Teorema de Noether, que explica as relações entre simetria e as leis de conservação em Física Teórica.

Marie Sophie Germain (1776 -1831)

Somente uma mulher conseguiu escapar da prisão imposta pela sociedade francesa em parte do século XVIII e XIX, firmando-se como uma grande teórica dos números. Sophie Germain revolucionou o estudo do Último Teorema de Fermat e fez uma contribuição ainda maior do que todos os homens que a antecederam. No início do século XIX o Último Teorema de Fermat era o mais famoso problema da Teoria dos Números. Muitos matemáticos, inclusive Euler, tinham fracassado ao tentar demonstrá-lo gerando um certo desânimo. Todavia, uma descoberta de Marie Sophie Germain fez com que os matemáticos retomassem a busca pela demonstração. O teorema enunciado por Sophie Germain diz que “ se p é um primo de modo que 2p+1 também seja primo, então não existem inteiros x, y e z, diferentes de zero e não múltiplos de p, tais que x^p + y^p = z^p“.

Os números p tais que 2p + 1 é primo são conhecidos como primos de Sophie Germain.

Esse resultado causou um choque no estudo do Último Teorema de Fermat e era superior aos obtidos pelos matemáticos da época. O choque não foi apenas matemático, mas social também, pois  Sophie Germain teve que adotar um pseudônimo  masculino Antoine August Le-Blanc para ser aceita pelos matemáticos. Durante muito tempo Sophie Germain se correspondeu com Carl Friedrich Gauss (1777 – 1855)  usando pseudônimo masculino. Porém, em 1807 ela revelou sua identidade e  Gauss escreveu-lhe uma carta encantadora. Outro matemático da época que a aprovou foi Adrien-Marie Legendre ( 1752 – 1833).

Acredita-se que existem infinitos primos de Sophie Germain.

Apesar das brincadeiras serem constantes, colocando em dúvida ainda a capacidade das mulheres de se dedicarem à Matemática, atualmente temos grandes matemáticas no meio acadêmico, embora em escolas particulares do  ensino médio e  cursinhos pré-vestibulares o ensino de  Matemática continua sendo privilégio dos homens. Por que será?

Gostaria de citar aqui duas grandes matemáticas brasileiras contemporâneas, atuantes e reconhecidas mundialmente  em suas áreas de pesquisas:  Profª Dra Shirlei Serconek (Álgebra) – Universidade Federal de Goiás e  Profª Dra Keti Tenenblat (Geometria) – Universidade de Brasília.

Fontes:  SINGH, Simon, O Último Teorema de Fermat, 12ª ed- Rio de Janeiro, Record 2006.

FARIA, Maria Aparecida de, Números Primos: Testes de Primalidade e Aplicações, Dissertação Especialização, UFG, 2008.

3 Respostas para “Mulheres Matemáticas”

  1. uau!!! não sabia que na história matemática existiram mulheres revolucionárias…

    E quanta dificuldade, naquela época era difícil ser revolucionária, já que para ser respeitada era preciso usar pseudônimo masculino…

    Esse paradigma precisa ser quebrado!

    Faço o curso superior de redes de comunicação no IFG e sou a única mulher da turma, não tenho medo de gostar de exatas, pelo contrário, amo contas.

    Às vezes me deparo com professores que parecem não acreditar muito que vou me formar em um curso de exatas, mas não temo.

    A história tem que mudar, mulheres guerreiras e inteligentes devem mostrar seu talento sem medo de errar!!!

    Eu estou aqui para ser um exemplo! Ainda quero ver grandes matemáticas sendo reveladas!!!

    Amei, Paulo!

  2. Parabéns, Ju! Você é uma mulher fabulosa. Confio muito em você…

  3. Excelente artigo, Cida. Impressionante, cada vez que entro aqui acho uma coisa mais interessante que a outra. Que bom você ter citado Hipacia (eu a conheço como Hipatia de Alexandria, eu a tenho como minha grande inspiradora.

    A grande matemática era de uma força iningualável, além de uma amor profundo pela geometria, pela filosofia, astronomia…

    Era costume de Hipácia sair vestida com o manto dos filósofos, abrindo caminho pela cidade, explicando publicamente matemática, astronomia, os escritos de Platão e Aristóteles. Isso desagradava os cristãos da época, mas Hipátia não se detinha; tanto que permaneceu dando seus ensinamentos e vivendo suas conviccões até o final, quando foi assassinada violentamente pelos monges fanáticos da Igreja de São Cirilo de Jerusalém. Hipácia é, portanto um exemplo de inteligência e fortaleza.Um bom modelo para nós!

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